A Síndrome de Estocolmo é um estado psicológico particular desenvolvido por algumas pessoas que são vítimas de sequestro. A síndrome se desenvolve a partir de tentativas da vítima de se identificar com seu captor ou de conquistar a simpatia do sequestrador. No final de um convívio prolongado a vítima tende a defender e até a se identificar com seus captores.

De vez em quando um aluno de pós-graduação interpela o professor, geralmente os que aplicam disciplinas sobre os 4 P da gestão empresarial (Planejamento, Processos, Pessoas e Projetos), com o seguinte argumento: “O que está sendo ensinado é muito bonito na teoria, mas não se aplica no dia a dia do trabalho”. Geralmente esta interpelação acontece de forma bastante peremptória e com um tom de crítica aos ensinamentos que não retratam a triste realidade de algumas empresas no mercado. Interessante é que este mesmo profissional reclama de seus superiores na empresa por não agirem de forma planejada; por modificarem a toda hora suas tarefas, objetivos e metas; por não reconhecerem o bom desempenho de seus subordinados; por não trabalharem horizontalmente, com seus pares ou parceiros. Esta atitude contraditória parece uma Síndrome de Estocolmo Empresarial.

Uma das funções da academia é pesquisar, construir e testar em campo métodos de melhoria de todas as atividades no planeta que envolvem os seres humanos. Em especial, no que concerne aos quatro P da gestão, um acréscimo de eficiência nas atividades de uma organização com consequente melhoria nos resultados da empresa (eficácia), através de soluções que consigam ir além das óbvias e já desgastadas fórmulas como o aumento do número de horas trabalhadas, as demissões em massa para posterior contratação de pessoal de menor custo, deveriam ser extremamente bem vindas, especialmente por aqueles que sofrem o efeito destas metodologias pouco inovadoras, e que procuram os cursos de pós-graduação das escolas de negócios para se habilitarem a uma sucessão gerencial. Contudo, uma espécie de Síndrome de Estocolmo Empresarial parece enturvar a visão de alguns destes profissionais-alunos.

Julia Layton, Redatora-chefe do site Howstuffworks (http://www.hsw.uol.com.br/autores-howstuffworks.htm), em seu artigo sobre o que causa a síndrome de Estocolmo (http://pessoas.hsw.uol.com.br/sindrome-de-estocolmo.htm), relata que “A fim de que a síndrome de Estocolmo possa ocorrer em qualquer situação, pelo menos três traços devem estar presentes: Uma relação de severo desequilíbrio de poder na qual o raptor dita aquilo que o prisioneiro pode e não pode fazer; a ameaça de morte ou danos físicos ao prisioneiro por parte do raptor; e um instinto de autopreservação de parte do prisioneiro”. Ora, se estas três condições forem apreciadas à luz de um ambiente empresarial desumanizado, é possível que, em casos de pessoas menos resilientes, estes três fatores estejam presentes: Uma relação de poder baseada na coerção, uma constante ameaça de perda do emprego que é o meio de sustento da família, e um instinto de autopreservação do empregado. No mesmo artigo, Julia descreve o processo de domínio da vontade do prisioneiro durante o sequestro, em quatro passos:

  1. “Em um evento traumático e extraordinariamente estressante, uma pessoa se vê prisioneira de um homem que a ameaça de morte caso desobedeça;
  2. …Compreender o que poderia deflagrar atos de violência de parte do raptor, para evitar esse tipo de atitude, se torna uma segunda estratégia de sobrevivência. Com isso, a pessoa aprende a conhecer quem a capturou;
  3. Um simples gesto de gentileza de parte do raptor, que pode se limitar simplesmente ao fato de ainda não ter matado o prisioneiro, posiciona o raptor como salvador do prisioneiro;
  4. O raptor lentamente começa a parecer menos ameaçador – mais um instrumento de sobrevivência e proteção do que de dano”.

Guardadas as devidas proporções, trocados os papéis do sequestrador para um gerente coercivo e do sequestrado para um empregado pouco resiliente, e mudada a ameaça de morte para uma ameaça de desemprego, pode-se começar a entender o porquê da atitude de alguém que paga um alto valor à uma business school para buscar novas formas de desenvolver seu trabalho, e reage de forma impugnatória quando os métodos sugeridos diferem de sua realidade profissional. A única maneira de aplacar, e mesmo assim em parte, este tipo de reação é mostrando cases de empresas bem sucedidas, que já utilizam a metodologia lecionada.

Em conclusão, é necessário que a pessoa que procura uma forma de evoluir profissionalmente, seja ela qual for (livros, textos, escolas, um mentor, uma consultoria), esteja preparada para ouvir, para abraçar as mudanças e as inovações que lhe serão propostas, selecionando quais delas fazem mais sentido ante ao seu modelo comportamental, à sua personalidade. O mestre dos mestres, Jesus de Nazaré, costumava dizer: “Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça!”. É preciso preparar os ouvidos para uma escuta ativa sem reações emocionais precipitadas.

Para saber mais sobre o tema visite o site da Quântica Treinamento Empresarial em http://www.quanticaconsultoria.com e o site Conexão Avatar em http://conexaoavatar.com

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