Para responder à questão do título devemos primeiramente entender o que é um Ecovila: Trata-se de um povoado autônomo no qual as atividades são integradas à natureza de forma a promover um desenvolvimento humano sustentável e, consequentemente, perene. As Ecovilas já foram incorporadas pelas Nações Unidas no Programa de Desenvolvimento de Comunidades Sustentáveis (SCDP), e já se organizam em uma Rede Global de Ecovilas (GEN) ao longo do planeta.

Como acontece em todo grupo de seres humanos, as Ecovilas também possuem uma organização política e social para regular os acordos de convivência e os objetivos comuns. Nestas comunidades existe uma forte tendência para o compartilhamento do poder e das responsabilidades, visando uma relação mais saudável das pessoas com elas mesmas, com a sociedade e com o ecossistema do planeta. Neste tipo de comunidade só conseguiriam prevalecer, dos poderes descritos por Cecília Whitaker Bergamini (2002), o poder de especialista, onde o seguidor está convencido de que seu líder tem algum conhecimento especial a respeito de como resolver um problema; e o poder de referência, que tem sua eficácia atingida porque o seguidor admira e se identifica com a pessoa do líder e com a causa que ele defende.

À luz deste contexto, surge o conceito de Governança Circular, cujo princípio é fortalecer os grupos de trabalho, por meio de políticas de gestão por colegiado, através de Conselhos, com rotatividade no exercício da tomada de decisão, numa tentativa de governança coletiva. Este tipo de governança muito se assemelha com o modelo de estruturação em rede neural, onde não existe uma coordenação central, mas sim uma descentralização do controle das atividades, das decisões e dos processos. Numa estrutura em rede neural qualquer órgão, central ou descentralizado, tem poder de decisão, porque decide somente sobre sua própria ação e não sobre a dos outros. Não há órgãos dirigentes nem dirigidos, ou os que mandam mais e os que mandam menos. E todos têm o mesmo nível de responsabilidade que se transforma em corresponsabilidade na realização dos objetivos da rede.

Contudo, não deve ser fácil a prática de uma Governança Circular ou atuar numa Rede Neural, uma vez que a localização do poder muda constantemente e não se concentra num só lugar. Esse fenômeno causa certa desorientação, já que se está acostumado a obedecer ou mandar, a partir de funções fixas, determinadas hierarquicamente. Não se está acostumado a decidir e compartilhar. Não há o hábito de conviver com diversos focos de poder atuando simultaneamente e de forma independente, compartilhando objetivos comuns, numa só estrutura. Na Governança Circular, se tem que ir além da prática da consulta democrática, pois existe a necessidade de vários focos de iniciativas, de multi-lideranças. Nesse sentido, participar de uma rede, assumindo seus fundamentos, representa uma revolução política individual, uma nova forma de organizar e vivenciar espaços de poder. É necessário que as pessoas sejam preparadas, formadas para as tarefas de sustentação, para manter a malha íntegra, o fluxo contínuo. Sejam chamadas de facilitadores ou de conselheiros, essas pessoas necessitam do desenvolvimento de competências, do domínio de instrumentos e técnicas de comunicação e mobilização, da internalização dos fundamentos desta nova cultura organizacional.

Mesmo assim este modelo administrativo, embora não se aplique a organizações que tenham um forte apelo hierárquico, como um exército, é uma alternativa viável para os órgãos de staff de uma empresa, que devem operar como consultores da alta gerência ou de toda a cadeia gerencial, como as áreas de controladoria, planejamento, controle orçamentário, sistemas de informação, processos operacionais e gerenciamento de projetos, servindo de alavanca para todos os objetivos de “empowerment”, criatividade e autonomia que estas áreas demandam de seus profissionais.

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