Richard St. John, um canadense empresário e palestrante da fundação TED, passou mais de uma década pesquisando lições de sucesso, traduzindo-as em seu livro “The 8 Traits Successful People Have in Common: 8 to Be Great” (St. JOHN, 2010). Estas oito recomendações, apesar de muito práticas, valem ser comentadas do ponto de vista conceitual e metodológico.

1. Ter paixão pelo que faz: Nesta primeira recomendação estão presentes dois conceitos interessantes sobre motivação. O primeiro é o da motivação consciente: algumas das teorias psicológicas sobre motivação se baseiam nos acontecimentos passados; já as teorias cognitivas ou conscientes veem a motivação como uma espécie de antecipação do prazer futuro, propondo que os principais determinantes do comportamento humano são as crenças, expectativas e antecipações que o indivíduo faz em termos de eventos futuros (BERGAMINI, 1977). Portanto, a paixão pelo que se faz vêm da expectativa dos resultados positivos dele.

2. Trabalhar duro: Esta sugestão remete aos conceitos do papel da liderança propostas no livro de Robert Quinn sobre as aplicações das competências gerenciais, especificamente para o papel de produtor que um líder deve exercer. Neste papel ele deve trabalhar produtivamente para fomentar um ambiente de trabalho produtivo e ao mesmo tempo motivar-se pela produtividade alcançada, ou seja, ver crescer a cada dia seus resultados e a aproximação do objetivo desejado (QUINN, et. al., 2003).

3. Manter o foco: A expressão “ter foco” significa ter um objetivo e concentrar-se nele. Mas como fazer isto? Kouzes e Pozner (1997), em seu livro “O Desafio da Liderança”, recomendam cinco regras básicas para uma liderança exemplar. O foco nestas cinco regras também pode ser aplicado a qualquer um que persiga um objetivo: desafie o estabelecido inovando na forma de realizar uma atividade; inspire uma visão compartilhada de seu objetivo em outras pessoas; permita que os outros ajam, não centralizando poder nem responsabilidades; aponte o caminho que você está seguindo para que outros também o sigam; e encoraje o coração, seu e dos outros, reconhecendo contribuições, valorizando e celebrando cada passo dado em direção ao objetivo final.

4. Persistir mesmo quando se falha: Este conselho só consegue ser praticado por indivíduos resilientes. Resiliência é um conceito psicológico emprestado da física, que pode ser definido como a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, superar obstáculos e resistir à pressão de situações adversas, sem entrar em surto psicológico. As características de uma pessoa resiliente podem ser desenvolvidas a partir da correlação entre resiliência e espontaneidade, utilizando-se os psicodramas para treinar a espontaneidade, ajudando assim as pessoas a tornarem-se mais resilientes (GASSENFERTH, MACHADO e KRAUSE, 2012). Portanto, a persistência é um par casado com a resiliência, uma necessitando mandatoriamente da outra.

5. Ter boas ideias: Esta orientação está contemplada no livro de Steven Johnson (2011) “De Onde Veem as Grande Ideias”. Para o autor as grandes inovações criadas pela humanidade não resultam de prodigiosos talentos individuais ou de mentes superiores isoladas. As maiores invenções resultam do amadurecimento de longas pesquisas feitas por várias gerações de pesquisadores, cada um assentando seu tijolo nela; também dependem do exercício de pensar esforçadamente sobre um tema, e, sobretudo, de um ambiente propício à criatividade. Uma prática importante no desenvolvimento de boas ideias é inovar seu processo de fazer determinada atividade, não utilizando o mesmo processo por mais de dois anos.

6. Praticar muito para se tornar bom no que faz: Esta recomendação aponta para o conceito de competência que, segundo a literatura, é uma mistura do conhecimento do que se faz, com a forma de fazer, chamada de habilidade, e com a atitude de querer fazer bem o que se faz. Contudo, também é necessário o entendimento do porquê a tarefa necessita ser feita daquela forma e com aquele grau de urgência, resultando numa atitude positiva. Muitas vezes a pessoa não recebe informações suficientes do contexto que que envolve a atividade, não conseguindo realiza-la da melhor maneira. Estas informações de contexto devem ser diligentemente perseguidas (GASSENFERTH, MACHADO e KRAUSE, 2012).

7. Esforçar-se física e mentalmente: Esta última advertência fala de duas práticas metódicas que são adotadas hoje por organizações que zelam por seus colaboradores. A primeira delas é a ginástica laboral, que além de diminuir a carga de estresse por interromper o trabalho no meio do expediente, evita o sedentarismo. Esta prática geralmente melhora o desempenho de uma pessoa no trabalho, e ainda pode evitar as lesões por esforço repetitivo (LER). A segunda, está diretamente ligada à recomendação 5 “ter boas ideias”: os programas de incentivo às boas ideias, sejam eles empresariais como as caixas de sugestões de várias empresas, ou a Inovação corporativa da 3M, sejam governamentais como os prêmios Jovem Cientista do CNPQ, e o projeto INNOVARE do Ministério da Justiça, OAB e organizações GLOBO, ajudam a focar o esforço mental na direção de um objetivo produtivo.

8. Servir, dando às pessoas algo de valor: Esta recomendação traz à tona o conceito de liderança serva (GREENLEAF, 1991). O princípio deste modelo diz que um líder, para ser seguido, deve ter em sua forma de liderar, princípios, ideais e propostas que tenham valor para os seus seguidores, ou seja, que sejam de serventia aos interesses de seus liderados. Desta forma, ele demonstra que sua visão de mundo, suas convicções e seus objetivos valem ser seguidos e alcançados.

Conclui-se que, os segredos para o sucesso apontados por Richard St. John (2010) são formados por um mosaico de conceitos, modelos e teorias, levados a cabo por ele, possibilitando o alcance do sucesso com sua aplicação prática. Isto demonstra que um indivíduo iluminado, mesmo sem o conhecimento formal dos métodos que envolvem organização pessoal, administração de negócios, liderança de pessoas e planejamento das ações, pode utilizar estes conceitos em prol de seu sucesso e de outros que caminham com ele. Contudo, as metodologias existem para auxiliar aqueles que não possuem tal grau de clarividência, a conseguir os mesmos resultados, seguindo a trilha que os métodos proveem.

Referências:

BERGAMINI, Cecília Whitaker. Motivação nas Organizações. 4ª edição. São Paulo: editora Atlas, 1997.

GASSENFERTH, Walter; MACHADO, Maria Augusta Soares; KRAUSE, Walther. Gestão Empresarial em Gotas: Agite Depois de Ler. São Paulo: editora Cengage Learning, 2012.

GRRENLEAF, Robert K. Servant Leadership: A Journey into the Nature of legitimate Power and Greatness. Mahwah, NJ, USA: Paulist Press, 1991.

JOHNSON, Steven. De Onde Vêm As Boas Ideias. Rio de Janeiro: editora Zahar, 2011.

QUINN, Robert E., THOMPSON, Michael P., FAERMAN, Sue R., e McGRATH, Michael. Competências Gerenciais: Princípios e Aplicações. Rio de Janeiro: Elsevier Editora, 2003.

KOUZES, James M. e POSNER, Barry Z. O Desafio da Liderança. Trad. Ricardo Inojosa. 9a. edição. Rio de Janeiro: Editora Campus, 1997.

St. JOHN, Richard. The 8 Traits Successful People Have in Common: 8 to Be Great. 2ª edição. Toronto, ON, Canada: Train of Thought Arts, 2010.

Para saber mais sobre o tema visite o site da Quântica Treinamento Empresarial em http://www.quanticaconsultoria.com

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