Por Guilherme Ceotto Metello

O Parque Nacional de Serengeti é um parque de cerca de 40.000km² na ecorregião do norte da Tanzânia e sudoeste do Quênia, na África Oriental. É famoso pelas migrações anuais de gnus, zebras e antílopes, que acontecem de maio a junho.

Os pássaros do Serengeti chamam a atenção pela beleza e exuberância das cores. Talvez porque não haja tantos predadores de animais de porte menor, porque eles viram mais facilmente presas dos leões, chitas, leopardos, os pássaros não têm a menor preocupação com a camuflagem. Ao contrário, parece que a sua grande meta é aparecer em grande estilo para conquistar uma fêmea. E abusam do azul, vermelho, amarelo, todas cores muito vivas, formando combinações muito alegres e até espetaculares.

De certa forma tudo é grandioso no continente africano, e os animais se esmeram para fazer bonito no grande desfile da selva.

Também parece que os próprios africanos participam desta coreografia deslumbrante. Quando vemos os times africanos nas grandes competições internacionais de futebol ficamos sem entender muito os fracos resultados que obtém, apesar de ter jogadores muito fortes fisicamente e com excelente técnica individual. Talvez uma explicação seja a contínua busca pela beleza, o espetáculo em si, antes do resultado. Uma jogada objetiva não tem graça se não tiver uma dose de arte e até mesmo uma evolução circense. Grande parte da própria torcida se enfeita com roupas de cores vivas e adornos de todos os tipos, e se diverte com os lances mais estapafúrdicos de seus jogadores, sem se preocupar com o resultado do jogo ou a situação do seu time. Tudo pela beleza, no conceito continental.  

Deve haver também pássaros que usam a camuflagem para não serem percebidos, mas não vi nenhum. Esta estratégia faz com que eles não se exponham e certamente sejam menos ameaçados, mas não são vistos nem admirados.

Darwin já afirmava no seu livro A Origem das Espécies (1859) que “a seleção sexual é dependente da vantagem que possuem certos indivíduos sobre outros do mesmo sexo e da mesma espécie, unicamente no que concerne na reprodução”. É possível que na sua evolução, os pássaros mais coloridos tenham tido mais oportunidades de reprodução pela atração sexual sobre as fêmeas, assim se tornado ao longo do tempo dominantes na sua espécie.

As pessoas nas empresas muitas vezes se confrontam com esse dilema. Assumir mais riscos, ou permanecer numa zona de conforto extremamente segura, mas sem trazer desafios nem, consequentemente, avanços ou recompensas. Às vezes isto é necessário, porque os riscos são muito altos, mas se tal atitude se tornar rotineira gerará um imobilismo que bloqueará sua carreira e limitará seus horizontes.

Referência:

DARWIN, Charles. Capítulo IV: Seleção Natural. In: A Origem das Espécies – Edição Ilustrada. Tradução: Carlos Duarte e Anna Duarte. São Paulo: Editora Martin Claret, 2014. Original de 1859.

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