“Porque todo o homem que tem poder sente inclinação para abusar dele, indo até onde encontra limites”.

Montesquieu, político, filósofo e escritor francês.

No dicionário Michaelis (2017) controlar significa “Exercer autoridade sobre alguém ou algo; comandar, dominar, mandar”. Esta definição não parece estar em sintonia com as necessidades de controle dos dias atuais. Por outro lado, no dicionário de sinônimos (2017), a palavra apresenta três contextos de sentido semelhante: inspecionar, conter e comandar. No contexto inspecionar, os sinônimos parecem ter mais aderência ao moderno objetivo de controlar: verificar, fiscalizar, vistoriar, vigiar, inspecionar, superintender, supervisionar, monitorar, examinar. As demandas atuais de controle apontam mais para um acompanhamento do que dever ser feito, do que para uma demonstração de autoridade ou comando para que as coisas aconteçam. Se uma pessoa deseja que seus planos realmente se efetuem, é necessário acompanhar a realização das ações oriundas, visando uma possível mudança de rumo, no caso da ausência de resultados.

Para que um controle tenha algum sentido prático, é necessário, em primeiro lugar, definir o que está sendo controlado: os gastos durante uma viagem, as notas de um filho na escola, por exemplo. Também é preciso que seja escolhido um dispositivo de controle, uma ferramenta para acompanhar o que está sendo controlado: a contagem de quanto dinheiro ainda se tem, a cada dois dias da viagem; as notas do boletim do aluno e a quantidade de trabalhos entregues à escola. A partir daí, é indispensável saber QUEM irá:

  • Descobrir e divulgar aos interessados, dados atualizados do que está acontecendo:
    • Realizar a contagem do dinheiro restante;
    • Receber o boletim e o relatório do colégio sobre a entrega dos trabalhos;
  • Avaliar o que está ocorrendo, comparando com um padrão pré-estabelecido:
    • Comparar os gastos diários até agora com o montante total disponível para a viagem, visando descobrir se o valor restante cobrirá os dias que faltam para o final do itinerário;
    • Verificar se a pontuação dos trabalhos mais as provas, até agora, apontam para o alcance da média necessária para o aluno passar de ano;
  • Alterar o comportamento ou as ações tomadas, para melhorar o que está sendo acompanhado:
    • Decidir se os viajantes voltarão antes da hora, ou propor ações para reduzir os gastos diários, garantindo assim o orçamento original, no caso do montante restante mostrar-se insuficiente para cobrir os dias remanescentes da viagem;
    • Conseguir alguém para aplicar aulas de reforço ao aluno, visando o aumento da nota no próximo bimestre, em caso desta estar abaixo da média necessária.

É importante perceber a diferença entre o controle como um comando e o controle como um acompanhamento: a discrepância está na última parte do processo; na postura da pessoa responsável por alterar o comportamento do que está sendo monitorado. No controle para comandar, as ações recomendadas a quem não alcança sua meta são punitivas, tais como acusações a algum viajante sobre seus gastos excessivos e a proibição de qualquer outra despesa durante a jornada, tornando o passeio penoso para o participante esbanjador; ou como castigar o aluno que não alcançou a média, tornando sua desventura ainda maior. Já no controle como um acompanhamento, as providências a serem praticadas são mais eficazes, pois visam ajudar quem não alcançou seu objetivo a atingi-lo mais à frente, encontrando uma saída para reduzir os gastos diários da viagem nos dias subsequentes; ou encontrando uma forma de dar mais conhecimento ao aluno sobre os temas de maior dificuldade no aprendizado, sem suplício.

Retorna-se então à pergunta título deste texto: por que controlar? Certamente, não se deve exercer o controle para descobrir os menos habilidosos ou os menos diligentes, visando aplicar-lhes penalidade. O controle deve ser exercido para acompanhar uma atividade, visando:

  • Antecipar um resultado indesejado, corrigindo o rumo ainda em tempo;
  • Criar um benchmarking de melhores caminhos a serem trilhados para quem vai percorrê-los no futuro;
  • Ajudar os menos capazes a encontrar uma forma alternativa e indolor de realizar seus objetivos;
  • Formar melhores líderes que entendam a importância de dividir com os liderados ou familiares a função de buscar ações que alterem o comportamento das pessoas em uma situação de rumo incerto, motivando-as a serem parte integrante na construção de qualquer solução.

Referências

MICHAELIS, Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa Online. Disponível em http://michaelis.uol.com.br/. Consultado em 03/02/2017.

Dicionário de Sinônimos Online. Disponível em https://www.sinonimos.com.br/. Consultado em 02/02/2017.

Para saber mais sobre o tema visite o site da Quântica Treinamento Empresarial em http://www.quanticaconsultoria.com

Comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s