por Walther Krause

INTRODUÇÃO

 A sociedade atual caracteriza-se por grande interatividade e mudanças contínuas onde o conhecimento passa a ser o principal fator de produção em uma nova economia. Nessa nova sociedade tornam-se indispensáveis investimentos relacionados à produção e disseminação de conhecimentos, educação, pesquisa, desenvolvimento e inovação, realizados através de projetos e com grande colaboração. A economia baseada no conhecimento está se desenvolvendo através de comunidades, ou seja, uma rede de indivíduos produzindo e disseminando conhecimentos até mesmo entre diferentes organizações. Os membros destas comunidades trabalham de forma coletiva tornando-se agentes de mudanças da sociedade como um todo. Neste contexto, as relações e interações sociais se desenvolvem através de estruturas em rede, as chamadas redes sociais, um fenômeno ainda pouco explorado, mas que tem sido objeto de estudo de várias áreas do conhecimento. Os estudos das redes corporativas, por outro lado,  já estão avançados (http://www.strategy-research.com). Os dados da consultoria internacional ComScore mostram um crescimento impressionante das redes sociais em termos de interações, com destaque para o Brasil: quase 600% em 12 meses. Um dos grandes problemas apresentados pela pesquisa de Benchmarking em Gerenciamento de Projetos de 2009, realizada pelos Capítulos Brasileiros do PMI (Project Management Institute – www.pmirio.org.br), é na comunicação interna e externa dos projetos. A construção de redes sociais corporativas pode ser uma alternativa tecnológica eficaz, mas o ser humano terá de ser tratado, para não se tornar mais um canal provedor de ruídos.

AS REDES SOCIAIS

As redes sociais são formadas por relações complexas que podem ocorrer entre indivíduos, grupos ou organizações, os quais se organizam em torno de interesses, valores ou crenças comuns. As redes ainda podem ser entendidas como o conjunto das relações sociais existentes entre conjuntos de atores e também entre estes atores individualmente.

A proliferação da informação em grupos é comum nas redes, isto em virtude dos atores se aproximarem de indivíduos que lhes inspirem confiança, ou que tenham relações de amizade e em muitos casos relações profissionais. O indivíduo caracteriza-se por possuir múltiplas relações, que podem ser motivadas pela amizade, pelas relações de trabalho ou pela simples troca de informações. Sendo assim, as redes vão se desenvolvendo à medida em que os contatos vão sendo feitos, resultando na construção social dos indivíduos, cujas similaridades formam um corpo, cujas unidades são as redes sociais. Um ponto que convém explicitar é o fato de que as redes tendem a se constituir de modo natural, sem uma hierarquia ou estrutura verticalizada. Contudo, mesmo sua forma horizontalizada e espontânea engloba relações de dependência e poder, onde alguns indivíduos surgem como os responsáveis pelo funcionamento da rede.

No mundo corporativo, as redes sociais vêm assumindo papel de destaque. A unidade do trabalho migrou da responsabilidade do indivíduo para redes de funcionários, sendo que, muitas tarefas têm se desenvolvido através da estrutura das redes ao invés da estrutura organizacional formalmente constituída.

Neste contexto destacam-se as relações sociais com interações informais – as redes de cooperação empresariais. Em uma organização, os colaboradores tendem a formar várias redes sociais informais de acordo com o tipo de relacionamento que eles mantêm e com o tipo de informação que eles desejam trocar.

É possível argumentar que as redes sociais existentes no ambiente de trabalho oferecem vários benefícios à organização uma vez que proporcionam ganho de conhecimento, criatividade e conectividade (tanto interna quanto externamente), elementos valorizados na atual sociedade do conhecimento.

Redes informais formam-se por ações e/ou processos que se cruzam ou se unem em determinados pontos de seu desenvolvimento. Cada vez mais as redes informais tornam-se importantes para efetivar a inovação. Isto se aplica não só à colaboração dentro e entre instituições científicas e tecnológicas mas também entre empresas – cadeia produtiva – e entre empresas e consumidores.

A CONTRIBUIÇÃO DAS REDES SOCIAIS PARA GERENCIAMENTO DE  PROJETOS

O gerenciamento de projeto depende muito mais das pessoas do que de processos e tecnologia. A maioria das organizações tem seu foco no processo de gestão de projetos e nas ferramentas e pouco na gestão das pessoas. O processo de gestão é importante, porém o processo deve contemplar a valorização das pessoas, seus conhecimentos, suas habilidades e suas atitudes.  A comunicação é um dos principais problemas em projetos. Isto é um paradoxo, pois temos tecnologia e recursos para levar informação a qualquer um, em qualquer lugar e em qualquer instante. Entretanto, o lado comportamental da comunicação não está sendo aprimorado, gerando muito mais ruído, a muito mais gente e muito mais rápido.

Projetos onde as opiniões dos membros da equipe são filtradas por supervisores intermediários podem distorcer a realidade e embutir risco ao projeto devido a analises preliminares equivocadas. A cópia indiscriminada de emails gera confusão e pouca objetividade. O uso de redes sociais permite que cada membro da equipe compartilhe sua opinião com toda a equipe. Através de comentários e feedbacks uma situação do projeto é mais bem avaliada, podendo gerar ações rápidas de contorno ou de melhoria. Um exemplo é dos funcionários da equipe do projeto observar uma anomalia e informar antes que um problema se multiplique e o custo para consertar seja elevado.

As ferramentas das redes sociais permitem uma comunicação direta e eficiente. Como as mensagens podem ser armazenadas, fica o registro do conteúdo produzido que alimenta as ferramentas de gestão de conhecimento. Isso permite registrar com mais eficiência o conteúdo intelectual produzido no projeto.

PMI RIO E AS REDES SOCIAIS

O PMI RIO entendeu que o modelo das redes sociais pode aprimorar os mecanismos de comunicação entre seus membros, propiciando a geração de conhecimento e troca de experiências.  As ferramentas das redes sociais permitem uma comunicação passiva (informações postadas no site), onde todos podem acessar quando necessitarem, e comunicação ativa (emails enviados aos membros da comunidade), onde avisos e comunicados relevantes são encaminhados aos grupos de interesse. Todos os membros podem criar informações (texto, fotos e vídeos), postar comentários, realizar fóruns de discussão, etc. O site do PMI RIO (www.pmirio.org.br) foi construído sobre uma plataforma preparada para redes sociais. Estamos em fase inicial, mas a experiência está sendo positiva, melhorando a criação de conhecimento e interação da comunidade.

As redes sociais são ferramentas importantes para auxiliar no processo de comunicação. Ainda estão em fase de amadurecimento, mas estão bem adaptadas ao brasileiro, que é um povo que adora se comunicar, não importa onde e nem como. Temos que aproveitar esta característica para canalizar para um foco consistente e objetivo para o melhor gerenciamento de projetos. Este é o objetivo do PMI RIO.

REFERÊNCIAS

PMI – Project Management Institute (www.pmi.org)

PMI Rio (www.pmirio.org.br)

AGUIAR, Sonia. Formas de organização e enredamento para ações sociopolíticas. Informação & Informação, Universidade Estadual de Londrina, Vol. 12, Edição especial, 2007. Disponível em:  http://www2.uel.br/revistas/informacao/viewissue.php?id=39. Acesso em: 08/01/2008.

_______. Redes sociais e tecnologias digitais de informação e comunicação no Brasil (1996-2006). Relatório de pesquisa. Rio de Janeiro: Nupef, 2006. Disponível em: http://www.nupef.org.br/pub_redessociais.htm. Acesso em: 18/02/2008

_______. Produção compartilhada e socialização do conhecimento em rede: uma abordagem exploratória. II Seminário Nacional do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFF – Produção do Conhecimento e Educação: História, Utopias. Niterói: UFF, 2002. Disponível em: http://www.rits.org.br/redes_teste/rd_tmes_mar2006.cfm

BOYD, Danah; ELLISON, N. B.. Social network sites: definition, history, and scholarship. Journal of Computer-Mediated Communication, 13 (1), article 11, 2007. Disponível em: http://jcmc.indiana.edu/vol13/issue1/boyd.ellison.html

GRANOVETTER, Mark. The strength of weak ties: a network theory revisited. Sociological Theory, v.1, 1983, p.201-233. Disponível em: http://www.si.umich.edu/~rfrost/courses/SI110/readings/In_Out_and_Beyond/Granovetter.pdf

SOUZA, Queila; QUANDT, Carlos; Metodologia de análise de redes sociais. In: DUARTE, F.; QUANDT, C.; SOUZA, Q. (orgs.). O tempo das redes. São Paulo: Perspectiva, 2008.

Autor:

Walther Krause, PMP, MSC.

Gerente de Governança Corporativa da Embratel
Professor da FGV e do IAG PUC RJ
Email: wkrause@uol.com.br

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