por Ruy Motta

A racionalidade pressupõe que se conheçam as consequências de cada alternativa de solução de um problema através de uma análise crítica. Esta análise precisa ser feita em cima de fatos e dados consistentes sobre o assunto. Porém, muitas vezes tomamos decisões baseados não em fatos e dados, mas em suposições que fazemos.

Fatos são realidades que podem ser comprovadas através de evidências enquanto suposições são opiniões formadas sem prova.

Ilustrando como fazemos suposições:  imagine observando uma pessoa passando correndo do outro lado da calçada. Por que ela está correndo? Provavelmente uma razão específica passou pela sua cabeça.

Vejamos algumas possíveis razões vistas por diversas pessoas que observaram a cena:

  1. Achar que está correndo para melhorar a condição física, se você é uma pessoa preocupada com a saúde.
  2. Achar que ela está apressada porque está atrasada para o serviço.
  3. Achar que é um ladrão e está fugindo.
  4. Achar que viu um conhecido mais a frente e está querendo alcança-lo.

O que leva diferentes interpretações para um mesmo fato ocorrido? Não conhecemos em detalhe o fato e pré-julgamos. Como se pode tirar conclusões sem ter conhecimento de fato do que está acontecendo? Estas conclusões são suposições realizadas pelo nosso inconsciente.

De onde vêm estas suposições?

O cérebro humano não suporta a ausência de informação ao se contar uma estória. O cérebro sequencia os eventos e completa as lacunas de informações baseado no repositório de preconceitos, valores, modelos e estereótipos que construímos ao longo da vida no nosso inconsciente.

Ao tomarmos decisões nas empresas, muitas vezes não temos todos os elementos para decidir.  Faltam informações, as que existem não são fidedignas, não fomos capazes de perceber a completude do problema, ou ainda existe uma tendência que não fomos capazes de observar. Mas nosso cérebro é capaz de completar estas lacunas e, a estória gerada por ele, tem a lógica da nossa mente, levando-nos a pensar que somos coerentes na análise e confundindo fatos com suposições.

Do mesmo modo que inferimos no porquê do homem correndo, somos capazes de utilizar suposições e tomar uma decisão errada. Toda vez que a análise crítica se basear em “acho que”, “penso que”, “creio que” ou expressões semelhantes, há grande probabilidade de estarmos errados. São as nossas suposições falando mais alto e não fatos reais para suportar uma decisão.

Como nos proteger deste viés tomado pelo nosso cérebro sem nem mesmo nos percebermos? Uma solução é incluir outras pessoas na análise do problema e escutando outros pontos de vista. Através da discussão e consenso podemos tomar melhores decisões além de nos precavermos quanto aos nossos preconceitos.

Em contrapartida basearmos somente em nossas suposições, podemos impactar muito negativamente a qualidade das decisões.

Ao analisar problemas tome cuidado com os seus pré-conceitos que alimentam as suposições. Não se esqueça: suposições não são fatos e não podem ser utilizados para definir alternativas possíveis de solução.

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