por Ruy Motta

A nossa vida é repleta de momentos de pequenas decisões tais como: o que vestir de manhã, com qual roupa ir trabalhar, o que vamos comer no café da manhã, e assim por diante.

Estas decisões são relativamente simples, pois analisamos os dados, verificamos as alternativas e tomamos nossas decisões rapidamente dentre as possíveis existentes. Quase não há esforço envolvido.

A maioria destas decisões quando tomadas afeta apenas o próprio tomador de decisão.

No entanto, existem decisões mais complexas na vida particular que precisam ser mais bem estudadas tais como trocar de moradia, escolher que profissão seguir ou constituir família.

Na vida corporativa também somos cercados por várias decisões desde as mais simples até as mais complexas, dependendo da função que ocupamos na hierarquia da empresa.

Em princípio, o processo decisório deveria ser encarado como simples, bastando analisar dados e fatos, verificar as alternativas e os riscos envolvidos em cada uma delas e escolher a melhor solução. Mas não é isso que acontece na prática.

Há três fatores que tornam estas decisões mais complexas do que imaginamos.

Este texto trata do primeiro destes fatores que fazem com que as decisões se tornem complexas.

Fatores internos.

Na Empresa, nossas decisões afetam não somente a nós mesmos, mas também a todos os colegas que atuam nos processos dos quais fazemos parte.

Nenhum órgão é capaz de entregar um produto ao cliente final trabalhando sozinho; cada área faz parte de um processo interno onde alterna o papel de fornecedor e cliente com outro órgão interno. Recebe do fornecedor os insumos necessários para iniciar o seu trabalho, agrega o seu valor aos insumos recebidos e os repassam para o próximo órgão do processo. Este fluxo se repete seguidamente até que o último a receber uma entrega seja o cliente final da empresa em questão.

Assim, tomadas de decisão que alteram quer seja o fluxo do processo, a qualidade das informações ou os dados que circulam no processo precisam ser amplamente discutidas com todos os participantes.

O que aparentemente pode ser uma ótima solução para um órgão específico, pode não o melhor caminho, se considerarmos a empresa como um todo.

Tomemos a necessidade de compra de um anel de borracha vedante necessária para a operação de uma determinada máquina.

É emitida uma solicitação ao setor de logística da empresa para a compra de uma determinada quantidade de anéis, visando suprir o estoque local que está quase esgotado.

O setor de logística consulta os fornecedores buscando menor preço e qualidade apropriada para o anel de vedação. Há dois fornecedores que se enquadram nas especificações. Um tem a quantidade pedida para entrega imediata e o outro com entrega em 60 dias. O fornecedor imediato tem o preço mais elevado por anel de vedação.

Se você fosse um funcionário da logística, provavelmente faria a compra com o fornecedor de menor preço, porém com entrega do material em 60 dias.

Correta a decisão?

Aparentemente sim, se analisarmos somente sob o ponto de vista da logística. No entanto, pode ser que esta decisão traga um problema maior para a empresa como, por exemplo, a parada da máquina operacional por falta do anel vedante, que certamente trará um prejuízo maior que o valor cobrado a mais pelo fornecedor com entrega imediata.

Uma conversa entre os participantes do processo (área de logística e órgão operacional) poderia prever uma compra emergencial pagando-se mais caro por uma quantidade pequena de anéis de vedação, o que minimizaria os riscos de ter a máquina parada. Os demais anéis poderiam ser comprados no outro fornecedor.

O que parece uma decisão simples, torna-se complexa justamente por envolver vários órgãos que participam do mesmo processo.

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