por Ruy Motta

Ao entrar em um bar para comprar uma caixa de fósforo você não tem noção de quanto irá pagar. O preço que o atendente cobrar você pagará, a menos que, intuitivamente, considere o valor exorbitante. Não poder comparar preços, não é confortável para o ser humano. Mas não acontece somente com comparações de valores monetários, mas de uma maneira geral o ser humano tem dificuldade em avaliar o valor intrínseco das opções em separado, por isso está sempre comparando valores relativos entre as opções.

Deste modo podemos cometer erros de avaliação. Suponha que você esteja analisando os funcionários para uma promoção. Aquele que você mais acompanha no dia a dia, será avaliado com mais rigor, para o bem ou para o mal. Outros funcionários que estão mais distantes, e que você sabe que vem trabalhando bem, provavelmente serão avaliados em relação à média do grupo.

Pessoas não apenas comparam, mas procuram as comparações mais simples.

Vejamos os testes realizado por Dan Ariely com os alunos do MIT. Foram oferecidas opções de férias de uma semana, pelo mesmo preço:  Roma (com café da manhã) ou Paris (com café da manhã). Para esta escolha houve uma distribuição quase equitativa entre as duas cidades. Em seguida foi acrescentada uma nova opção: Roma (sem café da manhã). A introdução de uma opção, que é inferior as apresentadas anteriormente, foi suficiente para fazer com que as pessoas mudassem as escolhas, comparando Roma (com café) com Roma (sem café) e reduzindo-se consideravelmente as escolhas por Paris.

Só há uma situação emocional em que deixamos de comparar: quando ocorre o efeito manada. Neste caso, não comparamos e tomamos a decisão de seguir a maioria sem efetuar análise alguma. Daí entendemos o porquê numa partida de futebol basta que alguns torcedores briguem para que todos comecem a brigar.

A relatividade do ser humano também aparece através da mania de se comparar com outras pessoas. Isto pode levar a sentimentos de inveja, insegurança e inferioridade por um lado, ou levar a sentimentos de arrogância, superioridade e julgamentos errôneos.

Devido as experiências de vida de cada um, somos seres completamente diferentes um do outro. Além disso a imagem que fazemos de uma outra pessoa não é a verdadeira realidade pois, ao fazermos a imagem, a submetemos aos filtros internos do nosso cérebro de omissões, distorções, valores e crenças que possuímos. Isto faz com que a realidade seja diferente da imagem. Um pressuposto da PNL (Programação Neurolinguística) é que o mapa (imagem na nossa mente) não é o território (a realidade).

Comparar, só vai criar a ilusão de que somos melhores ou piores do que o outro. Mas não muda em nada a nossa realidade de vida.

A única comparação que podemos fazer é aquela em relação a nós mesmos.

Se não estamos satisfeitos como somos no momento, tracemos o que desejamos para nós, modifiquemos o que não gostamos, busquemos o que nos falta de forma perseverante até a obtenção do que desejamos.

A cada dia podemos nos comparar com uma imagem nossa do passado e ver como evoluímos ao longo do tempo. Estamos sempre em mudança.

Resistir a nos comparar com os outros pode ser difícil, mas não somos nós que controlamos a nossa vida? Nós somos responsáveis pelas escolhas que fazemos.

Não ganhamos nada nos comparando com outras pessoas. É um exercício inútil, pois não nos modifica em nada: é como comparar uma laranja com uma colher. Como e por que optar por uma em vez de outra?

Nós somos seres únicos e incomparáveis.

Referência:

ARIELY, Dan. Previsivelmente Irracional. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.

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