por Ruy Motta

“A sensação diz-nos que existe alguma coisa. ”

“A intuição fornece, em primeiro lugar, apenas imagens e ou impressões de relações e condições que não podem ser conseguidas através de outras funções, ou só podem após muitos rodeios. ”

Carl Jung

Carl Jung identifica a intuição e a sensação como funções psíquicas de percepção. São formas de perceber as informações do mundo real. Através destes processos irracionais podemos encontrar soluções mais rapidamente do que o consciente racional consegue perceber e, como consequência, tomar decisões melhores.

Não vamos falar de toda a conceituação proposta por Jung para os tipos psíquicos, que pode ser encontrada detalhadamente no livro da referência. Vamos focar somente na forma que o ser humano atua inconscientemente nestes processos que nos subsidia nas decisões.

A sensação percebe a realidade através dos cinco sentidos e a intuição percebe a realidade além desses sentidos, via sexto sentido.

A intuição é oriunda das vivências pelas quais as pessoas passaram, permitindo acrescentar à percepção consciente, dados inconscientes. Mesmo sem enxergar detalhes dos problemas é capaz de encontrar uma solução sem haver uma análise racional. A intuição é rápida, sem esforço e gera impressões, imagens, ideias e pressentimentos.

Seu principal uso é em tarefas do dia a dia, como por exemplo compras em supermercado, interpretar a linguagem verbal ou decisões rotineiras nas organizações.

Quanto mais pressa e ocupação as pessoas tem, maior a probabilidade de utilizar o pensamento intuitivo.

Algumas características das pessoas com o tipo psíquico intuição:

  • Confiam no sexto sentido;
  • São determinados por inspiração e imaginação;
  • Veem o todo, mas sem dar atenção aos detalhes;
  • São desafiados por problemas novos e complexos;
  • Enxergam tendências;
  • São estimulados pela mudança;

A sensação em contrapartida se apoia na coleta de detalhes concretos através dos sentidos sobre a realidade. Utiliza fatos e dados para trabalhar e tomar decisões. A sensação faz com que a consciência perceba que algo existe, mesmo sem pressentir o quê, mesmo que não venha através dos cinco sentidos.

A sensação é que alimenta o consciente racional para procurar e investigar mais sobre o problema.

Algumas características das pessoas com o tipo psíquico sensação:

  • Confiam nos sentidos;
  • Procuram “fatos e dados”;
  • São detalhistas;
  • Gostam de executar. Se participam de um projeto, se realizam durante a execução;
  • Se sentem seguros com o que é conhecido, testado e aprovado;

O consciente racional pode aceitar ou não as sugestões. Ele possui o autocontrole, exceto nas emergências. Nestes casos o processo inconsciente decide sozinho. Podemos citar como exemplo ao atravessar a rua e, ao colocar o pé no asfalto, pelo canto do olho, vê um ônibus em alta velocidade, que vai atropelá-lo, quem assume o comando é o inconsciente e você dá um passo atrás sem saber o porquê. Se tivesse que raciocinar com a mente consciente, provavelmente estaria morto.

As pessoas sensitivas tendem a errar menos do que as pessoas do tipo intuitivo, pois lidam com fatos e dados. No entanto as pessoas intuitivas são as que tem insights de alternativas fora do comum e de grandes descobertas.

Nas empresas os dois tipos psíquicos são importantes, se existirem mesclados no quadro de pessoal. Pessoas com diferentes perfis, que pensam diferente, se somam na busca por um resultado melhor.

Nos tempos globalizados e de intensa competitividade, pode significar a diferença em ser ou não uma empresa de sucesso.

Referências

JUNG, C. G. Tipos Psicológicos. 7ª ed. Petrópolis: Vozes, 1991.

Tipos Psicológicos – Sensação ou Intuição; conversas sem censura. Disponível em https://lucianavarrobrasil.wordpress.com/2014/04/23/tipos-psicologicos-sensacao-ou-intuicao/. Consultado em 20/09/2016

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