por Ruy Motta

Devemos ter confiança em nossas decisões. Elevar a confiança é nos tornarmos cada vez mais assertivos. Porém há situações em que ficamos excessivamente confiantes, principalmente quando lidamos com o que já conhecemos bem.

Isto pode nos levar a cometer erros grosseiros e não repararmos até que já seja tarde.

Um bom exemplo aconteceu em setembro de 1989, quando um avião da Varig (voo 254) que ia de Marabá para Belém caiu, por pane seca, no norte de Mato Grosso devido ao excesso de confiança do piloto. Naquela época a direção do voo era informada através de ângulos, além de não haver radar em grande parte do território brasileiro. O piloto cometeu um erro no início, ao decolar de Marabá, interpretando o ângulo 0270 como 270 graus em vez de 27,0 graus.  Durante o voo ele considerava que os instrumentos estavam errados e ele, certo.

O excesso de confiança faz com que uma pessoa proceda conforme a seguir:

  • Subestimar o que os outros sabem – não importa o que você sabe, eu sei mais;
  • Não ouvir os demais – se eu sei mais do que você, por que devo ouvi-lo?
  • Achar-se mais qualificado ou competente que os outros;
  • Basear-se apenas nos seus conhecimentos, ignorando os dados que vêm de fora ou de alguém que não respeite;
  • Desprezar a necessidade de aprendizado constante – eu já sei ou conheço tudo, não necessito aprender mais nada;
  • Confiar mais no seu sentimento do que em dados e informações concretas –  realizar pouca análise crítica com relação as decisões que tem de tomar.

Como resultado deste comportamento:

  • Superestima seus conhecimentos – acha que sabe mais do que realmente conhece;
  • Sobrestima a precisão de suas previsões – por confiar em si mesmo considera que suas previsões são as que vão ocorrer;
  • Subestima os riscos – considera que os riscos das decisões são menores do que na realidade o são;
  • Acredita cegamente na capacidade de controlar eventos – considera que mesmo que os eventos não ocorram conforme o previsto, será capaz de controlá-los facilmente;

Assim como o excesso de confiança não é um comportamento ideal, a falta de confiança também deve ser evitada. A falta de confiança faz com que uma pessoa apresente o seguinte comportamento:

  • Perfil de adiar e não confiar nas suas decisões – torna-se inseguro e indeciso;
  • Não acredita em suas habilidades, nem em sua capacidade, apoiando-se nos outros ou se omitindo;
  • Quando questionada, abre mão com muita facilidade de suas opiniões, mesmo quando são boas, deixando de expressar ideias;
  •  Fica presa aos resultados negativos do passado;
  • Transmite hesitação para a equipe.

A fronteira entre o excesso de confiança e a arrogância é tênue.

Arrogância se caracteriza principalmente pela falta de humildade. Algumas pessoas confundem humildade com fraqueza.

 A arrogância nem sempre é derivada do excesso de confiança. Pode também ser uma estratégia de pessoas que tem um senso de inferioridade ou insegurança, colocando-se numa posição de autoridade para esconder este sentimento.

A pessoa que tem excesso de confiança também apresenta os seguintes comportamentos:

  • Nunca está errada. Se houver alguma falha, alguém errou;
  • Encontra defeitos nos outros;
  • Jamais agradece.

A arrogância leva a pessoa a considerar somente sua opinião. No mundo corporativo de hoje onde o trabalho em equipe cada vez se torna mais necessário, esta postura tende a bloquear o profissional.

Confiança todos devemos ter, mas tomando o cuidado de não cair na armadilha de nos tornarmos excessivamente confiantes ou até mesmo arrogantes.

Referência

DISCOVERY CHANNEL. Documentário Catástrofes Aéreas. Publicado em 17/01/2013; disponível em https://www.youtube.com/watch?v=S-MkVGF3yXc. Consultado em 23/09/2016.

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