por Walther Krause

O termo “sustentável” vem do latim sustentare, que significa sustentar, defender, favorecer, apoiar, conservar e cuidar. O conceito tornou-se um princípio, segundo o qual o uso de recursos visando satisfazer certas necessidades presentes, não pode comprometer a satisfação das necessidades de gerações futuras. Um empreendimento é considerado sustentável se for ecologicamente correto, economicamente viável, socialmente justo e culturalmente aceito.

O conceito de sustentabilidade começou a ser delineado na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano (United Nations Conference on the Human Environment – UNCHE), realizada em Estocolmo de 5 a 16 de junho de 1972, a primeira conferência das Nações Unidas sobre o meio ambiente. A Conferência de Estocolmo lançou as bases das ações ambientais em nível internacional, chamando a atenção internacional especialmente para questões relacionadas com a degradação ambiental e a poluição que não se limita às fronteiras políticas, mas afeta países, regiões e povos, localizados muito além do seu ponto de origem. A Declaração de Estocolmo, que se traduziu em um Plano de Ação, define princípios de preservação e melhoria do ambiente natural, destacando a necessidade de apoio financeiro e assistência técnica a comunidades e países mais pobres.

O conceito de sustentabilidade está intimamente relacionado com o da responsabilidade social das empresas. Além disso, esse conceito normalmente adquire contornos de vantagem competitiva. Segundo Michael Porter – professor da Escola de Negócios de Harvard – “normalmente as companhias têm uma estratégia econômica e uma estratégia de responsabilidade social, quando o que deveriam ter é uma estratégia só”. Uma consciência sustentável, por parte das empresas, pode significar uma vantagem competitiva, se integrar uma estratégia única da organização.

Sustentabilidade Empresarial se refere a uma forma de conduzir as atividades empresariais. Ser, pensar, decidir e agir de forma sustentável requer um processo de entendimento, negociação e integração construtiva entre todos os agentes de relacionamento de uma empresa ao olhar dos princípios e valores da própria empresa e de sua ética.

As empresas devem inserir na sua atuação elementos que considerem o equilíbrio nas relações com diversos grupos de interesse, demonstrando que os sistemas econômicos, sociais e ambientais estão integrados e que não podem implementar estratégias que contemplem somente uma dessas dimensões. Há alguns anos, iniciou-se uma tendência mundial dos investidores procurarem empresas socialmente responsáveis, sustentáveis e rentáveis para aplicar seus recursos. Com isso, índices de sustentabilidade foram criados em escala global para avaliar várias dimensões das relações da empresa com a sociedade, o meio ambiente e os provedores de capital para a empresa.

A realização da estratégia é através de projetos, conforme Dinsmore. Desta forma, o gerenciamento e os produtos dos projetos também precisam estar aderentes aos requisitos para uma organização sustentável.

O projeto sustentável é, então, aquele que gera retorno para a empresa e seus clientes (internos ou externos) sem causar impactos negativos (ou causando impactos positivos) as outras partes interessadas.

A sustentabilidade de um projeto se apresenta em quatro aspectos: Ambiental, Social, Cultural, Econômico. Alguns pontos que devem ser considerados, como exemplo:

Ambiental:

  • Reciclagem de lixo
  • Reaproveitamento da água
  • Evita-se desperdício de energia
  • Não polui o ar

Social:

  • A equipe do projeto recebe salário justo
  • As condições e segurança no projeto são adequadas
  • O projeto incentiva iniciativas sociais em torno do produto que está sendo criado
  • A comunidade recebe benefícios dos produtos do projeto

Cultural:

  •  Projetos multiculturais respeitam as diferenças das partes interessadas
  • As atividades do projeto são adequadas para a região na qual a elas ocorrem

Econômica:

  • O projeto trará lucro e resultados positivos de forma legal
  • As negociações com os fornecedores são feitas de forma justa
  • Os clientes internos ou externos recebem o valor pelo qual estão pagando ou são enganados com falsas promessas e expectativas
  • As atividades do projeto são conduzidas de forma ética

A avaliação e condução de projetos devem considerar os aspectos e parâmetros que influenciam os resultados de cada uma das diferentes etapas que derivam de cada uma das fases do ciclo de processos de gerenciamento dos projetos. A construção de um modelo de gerenciamento de projetos, que leve em conta o desenvolvimento sustentável, dentro do conjunto de aspectos específicos das diretrizes estratégicas da empresa, terão como resultados a contribuição positiva para os resultados globais da organização, não apenas financeiro.

Grande parte das empresas deve entender que os temas tratados sobre a sustentabilidade são relevantes, e virá para a pauta estratégica do negócio por necessidade e pressão interna e/ou externa. Afinal é esperado das organizações que incorporem em sua visão a perspectiva da sustentabilidade como eixo central de sua estratégia de sobrevivência e crescimento; que incorporem em suas atitudes e práticas de gestão novas perspectivas de análise e tomada de decisão, que considerem e integrem equilibradamente os aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais; que baseados nessas mudanças, possam apresentar resultados significativos em termos de impactos produzidos no contexto socioambiental em que atuam, minimizando impactos negativos e potencializando impactos positivos, de forma contínua e progressiva; que sejam agentes multiplicadores desta perspectiva de desenvolvimento em toda sua cadeia, influenciando e fortalecendo suas relações com as partes interessadas. Ser sustentável traz benefícios a todos. O modelo de gerenciamento de projeto deve estabelecer que projetos só os sustentáveis.

Referências Bibliográficas

ALMEIDA, Fernando. O bom negócio da sustentabilidade. 1ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002. 191 p.

CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DO INSTITUTO ETHOS 2006. Gestão de projetos para sustentabilidade. Disponível em:<http://www.ethos1.org.br>.

DINSMORE, P.C., Transformando Estratégias Empresariais em Resultados Através da Gerência por Projetos, QualityMark, Rio de Janeiro, 1999.

DINSMORE, P.C., & Cooke-Davis, Terence. The Right Projects Done Right! San Francisco, CA: Jossey-Bass, 2006.

NBR ISO 14001. Sistemas de gestão ambiental: especificação e diretrizes para uso. Rio de Janeiro: ABNT, 1996.

PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE. Um guia do conjunto de conhecimentos em gerenciamento de projetos: guia PMBOK. 4ª ed. Newton Square: PMI, 2008.

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