por Walther Krause

INTRODUÇÃO

Os Princípios da OCDE (ORGANIZAÇÃO PARA A COOPERAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO) sobre o Governança Corporativa  foram inicialmente desenvolvidos em 1999. O Fórum para a Estabilidade Financeira adotou os princípios como uma das doze normas fundamentais para sistemas financeiros sólidos. Assim sendo, os  princípios  formam atualmente a base da vertente de Governança Corporativa  dos relatórios sobre o cumprimento de padrões e códigos (ROSC – Reports on the Observance of Standards and Codes) do Banco Mundial/FMI.

Os Princípios aplicam-se essencialmente às sociedades de capital aberto ao público, tanto financeiras como não financeiras. No entanto, na medida em que sejam aplicáveis, eles poderão ser uma ferramenta útil para melhorar a Governança Corporativa com o capital fechado ao investimento do público, quer sejam empresas privadas ou empresas públicas. Os princípios do OCDE foram a base da criação dos Códigos de Governança Corporativa.

“Governança Corporativa é o sistema pelo qual as organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre proprietários, Conselho de Administração, Diretoria e órgãos de controle. As boas práticas de Governança Corporativa convertem princípios em recomendações objetivas, alinhando interesses com a finalidade de preservar e otimizar o valor da organização, facilitando seu acesso a recursos e contribuindo para sua longevidade.”

IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa

Os Códigos de Governança Corporativa foram desenvolvidos inicialmente para as empresas listadas nas bolsas de valores. Os princípios foram expandidos para diversas organizações e considerados como melhores práticas de gestão, aplicado em entidades privadas e públicas. Os princípios e práticas da boa Governança Corporativa aplicam-se a qualquer tipo de organização, independente do porte, natureza jurídica ou tipo de controle.

O crescimento das organizações se dá através da melhoria de produtos e serviços, bem como para os processos e tecnologias que contribuem com tal propósito. A transformação organizacional é obtida através de projetos que servirão como ponte entre uma situação presente da organização e um ponto futuro.

Na literatura acadêmica, muitos são os estudos que analisam a relação entre governança, valor e desempenho das empresas. O Estudo realizado por Vieira (2010) indica que variações positivas (negativas) na qualidade da governança estão associadas a variações positivas (negativas) no desempenho operacional das empresas.

Enquanto o gerenciamento de projetos tem como objetivo realizar um projeto de forma eficaz, o gerenciamento por projetos tem como objetivo o alinhamento organizacional para atender às estratégias estabelecidas. As organizações tornam-se, portanto, um portfólio de projetos, cujo resultado será o ponto futuro desejado pela organização. As organizações de sucesso estabelecem sua governança corporativa que suporte o gerenciamento por projetos. É realizar o projeto certo, que precisa ser realizado,  da forma correta, aumentando o valor do negócio e reduzindo riscos.

  GOVERNANÇA DO GERENCIAMENTO DE PROJETOS

A oportunidade de investigar a expansão dos princípios de governança corporativa nos sectores público e dos interessados ​​coincide com renovado questionamento do desempenho – ou melhor, a falta de desempenho – de grandes projetos de capital.

Um estudo realizado pelo Programa Internacional em Gestão de Engenharia e Construção (IMEC), em 2000 [6] revelou que, dos 60 grandes projetos de capital, com um valor de capital médio de US$ 1 bilhão realizado entre 1980 e 2000, 18% excederam os custos extensivamente. Ele também descobriu que quase 40% dos projetos realizados foram abandonados ou reestruturados depois de experimentar crises financeiras.

Uma forma de mecanismo de governança é requerida para endereçar a aparente falta de responsabilidade no desempenho dos projetos. A questão da governança de projetos surgiu desta necessidade de desenvolver os mecanismos necessários para que os projetos sejam transparentes, atinjam seus objetivos e estejam aderentes aos princípios da boa governança corporativa.

A Governança do Gerenciamento de Projetos está inserida nas áreas da Governança Corporativa relacionadas às atividades de projeto (Figura 1). A governança efetiva do gerenciamento de projetos busca assegurar que o portfólio de projetos está alinhado aos objetivos estratégicos da organização, é entregue eficientemente e é sustentável. A Governança do Gerenciamento de Projetos suporta também que todas as partes interessadas sejam providas das informações relevantes e confiáveis no momento certo.

Governança de Projetos

Figura 1: Governança do Gerenciamento de Projetos

Fonte: Association for Project Management – APM

Princípios da Governança do Gerenciamento de Projetos

A APM (2005) propõe abordar quatro principais componentes da Governança do Gerenciamento de Projetos:

  1. Gerenciamento de Portfólio
  2. Patrocínio do Projeto
  3. Gerenciamento de Projeto eficaz e eficiente
  4. Prestação de Contas

CONCLUSÃO

As organizações que alcançam os melhores resultados nas bolsas de valores  estão suportadas pelas melhores práticas de governança corporativa, pois demonstra capacidade de gestão e de redução de riscos negativos. As organizações que obtém os melhores resultados estão suportadas por sua capacidade de inovação e de transformação, através do gerenciamento de projetos. A combinação das melhores práticas em governança corporativa e em gerenciamento de projetos, com a aplicação do Escritório de Projetos como um dos componentes da governança, possibilita a sustentabilidade do crescimento da organização por longos períodos. Isto poderá ocorrer em cenários de grandes oportunidades como em cenários de crise, pois a tomada de decisão estará bem estruturada por mecanismos que garantem a comunicação certa na hora certa e minimizam riscos de tomar caminhos errados. As organizações que se apoiarem na governança corporativa e de projetos, com o PMO, estarão fazendo certos os projetos certos. Este artigo é um resumo do capítulo do livro PMO – Escritórios de Projetos, Programas e Portfólio na prática.

REFERÊNCIAS

Andrade, A.; Rossetti, J. P. Governança corporativa: fundamentos, desenvolvimento e tendências. São Paulo: Atlas, 2004.

Archer, N. P., Ghasemzadeh, P. Project Portfolio Selection Through Decision Support. Decision Support Systems, v. 29, 2000.

APM (Association for Project Management). A guide to governance of project management. Wycombe, UK,

ANSI/PMI 99-001-2008. The Standard for Project Management , Fourth Edition, Pennsylvania: PMI, 2008.

ANSI/PMI 08-002-2008. The Standard for Program Management , Second Edition, Pennsylvania: PMI, 2008.

ANSI/PMI 08-003-2008. The Standard for Portfolio Management , Second Edition, Pennsylvania:PMI, 2008.

Barcauí, A., et outros, PMO –  Escritórios de Projetos, Programas e Portfólio na prática, Brasport, 2012.

Dinsmore, P.C., Transformando Estratégias Empresariais em Resultados Através da Gerência por Projetos, QualityMark, Rio de Janeiro, 1999.

Dinsmore, P.C., & Cooke-Davis, Terence. The Right Projects Done Right! San Francisco, CA: Jossey-Bass, 2006.

Dinsmore, P.C., Rocha, Luiz, Enterprise Project Governance, AMACOM, 2012.

IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa). Site ibgc.org.br.

Kerzner, H.: Gestão de Projetos: As Melhores Práticas. / trad. Project Managemement: Best Practices. Porto Alegre: Bookman, 2002.

G. Cooper, Edgett, S.J., & Kleinschmidt E.J, New Problems, New Solutions: Making Portfolio Management More Effective, Research-Technology Management, March-April 2000, Vol. 43, No. 2, pp. 18-33.

G. Cooper, Edgett, S.J., & Kleinschmidt E.J, Optimizing the Stage-Gate Process: What Best Practices Companies Are Doing – Part I, Research-Technology Management 45, 5, Sept-Oct 2002, 21-27.

Lodi, João Bosco. Governança Corporativa: o governo da empresa e o conselho de administração. São Paulo: Campus, 2000.

Vieira, M. Governança Corporativa e Desempenho de Empresas: Novas Evidências do Caso Brasileiro. Dissertação (Mestrado), Fundação Getúlio Vargas, 2010.

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