por Ruy Motta

“ Foi a primeira a desenvolver a tecnologia de fotografia digital, cerca de duas décadas antes de suas rivais. Mas para preservar seu modelo de negócios, baseado no rolo de filme, seus executivos preferiram a estratégia da negação do óbvio”.

(Kodak – Revista Exame)

Na mecânica clássica podemos calcular como um determinado corpo irá se comportar se soubermos a posição inicial, a massa e a velocidade. Na física quântica não há esta certeza.

Heisenberg formulou o princípio da incerteza que diz que não podemos calcular com certeza simultaneamente a posição e as demais grandezas.  Se uma é calculada mais acertadamente, as outras ficam mais incertas.

Tanto na vida corporativa como na privada, os ambientes em que o ser humano pode se encontrar variam da certeza, quando todos os resultados das alternativas são previsíveis, passam pelo ambiente de risco, quando o comportamento futuro pode ser estimado por meio de probabilidade de ocorrência e chegam à incerteza, quando não é possível estabelecer probabilidades ou bases científicas para estimar o seu comportamento futuro.

O homem prefere viver em um ambiente de certeza, mas este é o que menos aparece na nossa vida. Na maioria das vezes estamos em ambientes de risco ou incerteza.

O princípio da incerteza aplica-se perfeitamente a nossa vida. Tudo é dinâmico e está em mutação em torno de nós. Mesmo o que está estável hoje, pode não estar amanhã. Nossa vida é uma eterna mudança.

Na área corporativa a alta gerência das empresas vive constantemente neste mundo de incertezas onde tem que acompanhar o mercado para garantir que as estratégias sejam coerentes para a empresa continuar existindo. A qualidade das decisões estratégicas depende da correta observação do mercado, do forte conhecimento do ambiente interno e da escolha das pessoas certas para os lugares certos.

Se a alta gerência falhar na definição das estratégias é possível que a empresa, mesmo sendo grande hoje, possa nem existir no futuro. Um bom exemplo é a Kodak, onde os altos executivos ignoraram o mercado, hesitaram em adotar novas tecnologias e mantiveram uma cultura hierárquica lenta na tomada de decisões. Como resultado amargaram um declínio nas vendas com perda do mercado e tiveram que se adaptar, tardiamente, a nova realidade, encolhendo a empresa.

Na antiga sociedade industrial havia menos população e a tecnologia de comunicação era deficiente. Isto garantia que as empresas pudessem atender a um mundo mais simples, controlável, previsível, lento e estável.

Estamos numa época de transição desta sociedade industrial para uma época que podemos chamar de sociedade do conhecimento ou de sociedade da informação.

Na sociedade do conhecimento a população aumentou muito, a tecnologia de comunicação tornou-se mais poderosa e barata. Surgiu então, o indivíduo conectado.

As empresas agora devem atender a um mundo que muda rápido, imprevisível, fora de controle, instável e complexo.

A única alternativa para o homem é se tornar cada vez mais resiliente, adaptando-se às mudanças tecnológicas e aprendendo cada vez mais por si só. O mundo irá se tornar cada vez mais veloz, inconstante e multifacetado.

A incerteza irá aumentar cada vez mais e a nova sociedade, pós geração Z, será forçada a lidar com mais escolhas em menor tempo.

Referências:  

Kodak – A implosão de um ícone; In: Revista Exame 26/06/2008; Disponível em: http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/921/noticias/a-implosao-de-um-icone-m0162723. Consultado em 04/03/2014

Thymus – Natura – contexto de mundo; In Youtube.com. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=EdPS5LjT6Ts. Consultado em 29/09/2016.

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