por Ruy Motta

O ser humano é racional e é de se esperar que todas as suas decisões sejam tomadas de uma forma racional, conforme o texto “Modelo Racional”.

Neste texto vamos analisar quatro fatores que restringem a racionalidade humana.

Primeiro fator: Tempo e/ou Custo.

Nem sempre temos todo o tempo desejado para coletar informações e pensar sobre o problema ou, todo o custeio que pode ser utilizado para resolvê-lo.

Ao analisar fatos e dados para solução de um problema específico podemos enfrentar uma limitante deste tempo ou de custo para encontrar a melhor solução.

Consequentemente procuramos informações que nos permitam tomar a decisão dentro das limitantes. Qualidade e quantidade de informação disponível podem ficar prejudicadas.

Não analisamos todas as alternativas possíveis para resolver o problema e sim as que conseguimos vislumbrar.

E, se uma alternativa nos parece atender razoavelmente como solução, deixamos de procurar mais alternativas e a escolhemos.

Esta pode não ser a melhor solução possível, mas a que atende dentro das limitações.

Segundo Fator: Falta de Informações Importantes

Ao procurarmos fatos e dados sobre determinado problema podemos ter falta ou baixa qualidade nas informações encontradas.

Como consequência tomamos decisões com base, não nos dados e fatos fidedignos que gostaríamos, mas naqueles que conseguimos coletar. A decisão poderá ser prejudicada pela ausência ou qualidade de informações importantes.

Terceiro Fator: Limitações de Inteligência e Percepções

Se perguntarmos a qualquer pessoa se ela é inteligente a resposta virá na ponta da língua. Todos nós achamos que temos uma boa parcela de inteligência.

Há situações, quando analisamos problemas, que podemos não ser capazes de perceber todas as informações que estão diante de nós ou não compreender como estas informações se encaixam na solução do problema.

Vamos fazer uma analogia.

Antigamente quando um circo chegava à cidade havia uma parada que servia como chamariz para anunciar o espetáculo. Naquela época animais eram permitidos nos circos. Na parada passavam em carros todos os artistas e animais tais como os palhaços, trapezistas, feras em jaulas e os domadores.

Imagine uma menina que foi a parada interessada nos palhaços. Se, após a passagem da parada, nós perguntarmos se ela viu o elefante, há uma boa possibilidade de ela não o ter visto, pois sua atenção estava voltada exclusivamente aos palhaços.

Na nossa vida corporativa somos um pouco parecidos com a menina ao observar a parada: deixamos de ver o elefante que está na nossa frente. E, acredite, ele está lá.

Podemos não perceber dentro dos fatos e dados que nos apresentam informações importantes para a solução do problema, embora os mesmos estejam diante de nossos olhos. Ou podemos não ter inteligência suficiente para interpretar os fatos que podem solucionar o problema.

A nossa solução será de acordo com a inteligência e percepção que conseguirmos alcançar sobre o assunto em questão.

Quarto Fator: Limitação em Reter as Informações

Você solicitou uma série de informações sobre um determinado assunto que está estudando para dar uma solução. Os seus auxiliares começam a trazer uma quantidade de informação que se acumula em sua mesa numa pilha de documentos.

Você começa a ler e a separar informações importantes das demais, mas após algum tempo você seguramente não é capaz de guardar tudo que leu.

Somos humanos e não máquinas perfeitas. Vamos falhar em reter as informações se elas existem em quantidade que nos sufocam.

Conclusão:

Conforme estes fatores interferem mais ou menos fortemente nos casos em que estamos analisando para tomar decisões, nos afastamos da solução puramente racional.

Simplesmente procuramos até encontrar uma solução satisfatória que seja suficiente para resolver o problema, em vez de examinar todas as alternativas possíveis. Ao acha-la, damos por encerrado a procura e a adotamos.

Referência

Bazerman, Max H.; Moore, Don; Processo Decisório; Rio de Janeiro; Elsevier, 2010.

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