por Ciro Mendonça

“No mundo individualista em que vivemos a pessoa só tem sucesso quando se compromete com algo intangível”

 Jorge Sampaoli- Técnico da Seleção de Futebol do Chile. 

Sempre que uma liderança percebe a sustentabilidade como um valor que merece ser incorporado à sua organização empresarial é inexorável que, a partir de então, nela aconteça uma profunda e notável revolução. Começa no planejamento estratégico, através de uma nova forma de pensar e agir, passa pelo tático, alcança a área de desenvolvimento de projetos, impacta a logística e altera radicalmente os processos da linha de produção. Provoca, até, a avaliação do ciclo de vida útil de seus produtos com vistas à implementação de logística reversa.

Projetos Sustentáveis são como filhos ditosos, venturosos e só acontecem num ambiente onde o culto aos valores intangíveis, a visão de longo prazo e a vontade de mudar o mundo para beneficiar as pessoas preponderam sobre o imediatismo, o desejo de auferir ganhos fáceis e a ânsia de explorar vantagens de ocasião.

Atributos dos Projetos Sustentáveis

 Não é de estranhar que um projeto sustentável ostente os traços de sua matriz e reflita em seus atributos a cultura e os valores da organização onde foi gestado. A partir da definição de empresa sustentável, podemos concluir que a sustentabilidade de um projeto se assenta em três pilares:

Econômico, ambiental e sócio/cultural.

Assim, para sua precisa avaliação, cabe submeter o projeto às seguintes questões:

  • O projeto trará lucro e resultados positivos de forma legal?
  • As negociações com os fornecedores são feitas de forma justa?
  • Os clientes internos ou externos recebem o valor pelo qual estão pagando ou são enganados com falsas promessas e expectativas?
  • As atividades do projeto incorporam o princípio do zero (defeito zero, lixo zero, poluição zero, deslizes éticos zero)?
  • O projeto desenvolve iniciativas ecológicas em torno do produto que está sendo criado?
  • O projeto considera consumo mínimo (água, energia, insumos) para as diversas etapas do processo de produção?
  • O projeto aproveita a tecnologia para reduzir viagens e reuniões presenciais?
  • A equipe do projeto recebe um salário justo e um tratamento digno?
  • As condições e segurança no projeto são adequadas?
  • O projeto incentiva iniciativas sociais em torno do produto que está sendo criado?
  • O projeto respeita a comunidade do entorno e o conhecimento tradicional associado?
  • Se o projeto é multicultural, as diferenças dos stakeholders são respeitadas?
  • Os valores culturais da equipe do projeto estão em harmonia com os valores dos demais stakeholders (especialmente os clientes)?

A caracterização de projeto sustentável é tanto maior quanto mais respostas afirmativas são dadas ao conjunto das indagações listadas acima.

Conclusão

Com base em um questionário de uma pesquisa com 15.000 administradores seniores dos EUA, Reino Unido, França, Alemanha, Suécia, Holanda e Japão, Charles Hampdem Turner e Alfons Trompenaars concluem, em The Seven Cultures of de Capitalism, que “a geração de riqueza é, em sua essência, um ato moral, guiado por um sistema de valores” e “esse conjunto de valores é uma impressão digital econômica que se correlaciona com os tipos específicos de conquistas e derrotas econômicas” observadas nestas nações.

Para concluir é oportuno lembrar o crivo moral concebido e praticado pelo Índice de Sustentabilidade Dow Jones – DJSI da Bolsa de Valores de Nova York – NYSE, através do qual rentáveis e renomadas empresas são discriminadas (empresas do mal) em face do valor intrínseco dos produtos que fabricam. Nelas acham-se incluídas as fabricantes de armas de fogo, de cigarros, de bebidas e jogos de azar.

Referências

PAIVA, Luiz. Sustentabilidade em Gerenciamento de Projetos. In: Blog Stakeholder, do site O Gerente. Publicado em 11/03/2009. Disponível em http://ogerente.com/stakeholder/2009/03/11/sustentabilidade-em-gerenciamento-de-projetos/. Consultado em 25/06/2014.

 TURNER, Charles Hampdem; e TROMPENAARS, Alfons. The Seven Cultures of Capitalism: Value Systems for Creating Wealth in the United States, Japan, Germany, France, Britain, Sweden, and the Netherlands. Garden City, New York, USA: Doubleday Business Publisher, 1993.

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