A Sustentabilidade nos Negócios e o Mundo Pós-COVID-19.

por Ciro Mendonça

Como quase todo mundo, eu tenho refletido muito sobre o episódio inédito que nossa geração está vivenciando. Salta aos olhos que o Corona Vírus é uma dramática tragédia ambiental. Uma combinação explosiva de concentração demográfica com ausência absoluta de valores de sustentabilidade. Por quê a Alemanha e os Países escandinavos não exportam pandemias? A Índia tem uma população quase igual a da China e não registra esse histórico macabro, talvez pela inclinação mística/religiosa cujos valores se assemelham aos da sustentabilidade. O mesmo podemos dizer do Japão, cuja concentração demográfica em área territorial exígua é um enorme desafio.

Vejo a China como uma grande planta industrial sem a certificação da série ISO 9000 (gestão da qualidade). O capitalismo selvagem do mundo ocidental tem enorme parcela de culpa nisso. A partir dos anos 80, as Nações ricas iniciaram um processo vertiginoso de transferência de indústrias para a China. Inicialmente, havia duas motivações por trás desse movimento: o aumento de lucros pela exploração da mão de obra barata chinesa e, ao mesmo tempo, livrar-se das indústrias altamente poluidoras, como é o caso, por exemplo, das siderúrgicas. O mundo ocidental não atentou para a sagacidade do Partido Comunista Chinês, que estimulou esse movimento, estendendo-o a outras indústrias estratégicas, como a dos fármacos e a da microeletrônica. Aqui cabe a metáfora das rolinhas, que aos bandos são atraídas pelo alpiste debaixo da arapuca.

De volta à Sustentabilidade, vejo 2020 com seu Corona Vírus como o “turning point”. Trata-se da ruptura de limiar, didaticamente exemplificada pelo efeito catchup, que espirra para fora do tubo quando este é pressionado com os dedos. Li ontem que o Japão iniciou um movimento de incentivo econômico para atrair de volta suas indústrias para casa. Trump seguirá a mesma estratégia. A China, que na primeira hora se beneficia comercialmente da praga que exportou, se verá, em curto prazo, diante de um grande desafio, qual seja, administrar o êxodo das indústrias cujas matrizes estão no Ocidente.

O historiador israelense Yuval Harari, que é professor de Harvard, prevê acelerada reconfiguração da ordem mundial com rearranjos profundos na geopolítica do mundo pós-covid. Sem qualquer conotação maliciosa, quem viver verá!

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